O CÓDIGO DA VINCI O CÓDIGO DA VINCI

- O CÓDIGO DA VINCI -

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Exemplo : "O que é O CÓDIGO DA VINCI?"

O CÓDIGO DA VINCI

Apostila preparada por: Pastor José Tomaz R. Lima


(Livro bestseller escrito por Dan Brown- 2003-, com mais de 40 milhões de exemplares vendidos –março de 2006)


- Alguns dados:

         Trata-se de um romance. Em principio, o autor afirma que o Cristianismo, tal como nos foi ensinado, é uma distorção da realidade original.

Em resumo seria isto:

  1. Até o Concílio de Nicéia (325 d.c.), ninguém acreditava que Jesus era divino- isso teria sido decidido naquele Conclave por escassa maioria, sob o comando do Imperador Constantino, que teria motivos políticos.
  2. Antes daquela data, Jesus era considerado um profeta comum e mortal- embora portador de uma sabedoria incomum, e poderoso.
  3. Jesus era casado com Maria Madalena, que seria sua colaboradora mais próxima, e apóstolo. O casal teve filhos e fugiu para a Gália, e deu origem à casa real dos Merovíngios-  reis franceses do século V ao século Vlll.
  4. De acordo com o romance, esse segredo foi guardado, através dos séculos, por uma sociedade secreta com o nome de “Priorado de Sião”, que por um período teria sido dirigida pelo famoso pintor Leonardo da Vinci. Ele teria colocado um código em suas obras;  entre outras, um conhecido quadro da “Santa Ceia” – e no qual a pessoa  à esquerda de Jesus seria Maria Madalena. A igreja  Católica Romana, diz o autor teria escondido essa “verdade”, e a responsável por isso seria a organização Opus Dei.
  5. O autor afirma que havia outros escritos que seriam os originais, escritos pelo próprio Jesus – é o que os estudiosos chamam de fonte “Q”. Além disso, aponta para os “Manuscritos do Mar Morto”, achados em 1947, perto de Qumran, os quais fazem referência a uma seita judaica – os essênios. E ainda são referidos os “documentos de Nag Hammadi”, achados em 1945 no norte do Egito. São manuscritos na língua copta do 3º século d.C. Esses documentos são considerados os mais importantes com relação aos gnósticos. Dessa literatura, o livro destaca três documentos: A) o Evangelho de Tomé; B) o Evangelho de Felipe; C) o Evangelho segundo Maria Madalena. Neste evangelho estaria demonstrado que Jesus era casado com Maria Madalena, e que seria ela, e não Pedro, que recebeu a ordem de fundar a Igreja de Cristo!
  6. O livro afirma, ainda, que os quatro Evangelhos que conhecemos, no Novo Testamento, não representam a crença original dos primeiros cristãos- na verdade, seriam uma adulteração da verdade original e foram impostos pelo Imperador Constantino!

II- Em resposta a essas afirmações fantasiosas do romance, observemos:

  1. A afirmação de que, até o Concílio de Nicéia, ninguém acreditava que Jesus era divino, não corresponde à verdade dos fatos, pois o apóstolo Paulo, escrevendo aos Colossenses, aproximadamente por volta do ano 61, refere-se a Jesus como “a imagem do Deus invisível”(CI 1.15); e o apóstolo João, que escreveu seu evangelho mais tarde (provavelmente nos anos 90 d.C), afirma: “O verbo estava com Deus, e o verbo era Deus”( Jô 1.1). O concílio de Nicéia, convocado pelo Imperador Constantino, foi para, sobretudo, por fim ao debate sobre uma heresia que afirmava ser Jesus, o Filho, “um pouco menos” Deus do que o Pai. Os bispos ( cerca de 220) presentes naquele Concílio afirmaram sua crença de que Jesus, o Filho, é da mesma essência do Pai, gerado, mas não criado. O Imperador Constantino não impôs doutrina alguma sobre o conclave!
  2. Que Jesus era casado com Maria Madalena, isso carece totalmente de base bíblica. Aliás, em nenhum lugar dos textos gnósticos se diz que Jesus era casado e nem que tinha filhos. Somente forçando esses textos, para os quais apela o livro de Dan Brown, é que se pode tirar a conclusão de que Jesus era casado. E é interessante observar que, conforme o costume da época, toda a vez que é mencionado o nome das várias mulheres que acompanhavam Jesus e o serviam, sempre vem atrelado a algum nome masculino, indicando que era mulher casada. Das sete Marias mencionadas nos Evangelhos, a única que não vem acompanhada de um nome masculino, mas sim da indicação do lugar de origem, é Maria Madalena- quer dizer, de Magdala!

Quando os evangelistas mencionam a família de Jesus, então referem-se a sua mãe, irmãos e irmãs (Mt 12.46-50). Se ele fosse casado, certamente mencionariam este fato, pois o Novo Testamento não parece ter nenhuma aversão ao fato. De que um líder religioso fosse casado; e, portanto, mencionaria isso ao referir-se a Jesus, sem querer encobrir esse fato. E mais: nem no momento da crucificação e nem no sepultamento é mencionada a presença de uma esposa de Jesus - sua mãe é que foi referida, além  de outras mulheres ( inclusive Maria Madalena- Mt 27.55)!

3.Com respeito aos livros que seriam os verdadeiros documentos da Igreja Primitiva – aqueles documentos de Nag Hammadi, achados no Egito, e de origem gnóstica-, é preciso deixar bem claro que os Evangelhos, tais quais os temos no Novo Testamento, são mais antigos; e por outro lado quando aconteceu o Concílio de Nicéia (325), já estavam circulando há 200 anos entre as Igrejas. Vários líderes cristãos do 2º e do 3º séculos referiam-se, em seus escritos, aos Evangelhos como Palavra inspirada de origem apostólica, especialmente na controvérsia com ensinos heréticos da época.

Principalmente Irineu e Tertuliano ( ambos durante o 2º século) mas também Inácio, Justino Mártir, Clemente de Roma ( este ainda no 1º século).Portanto, muitos anos antes de Constantino! Carece totalmente de base histórica a afirmação de que foi a partir de Constantino que a Igrja cristã reconheceu os livros considerados inspirados (canônicos)!

4.Quanto ao “Priorado de Sião”, convém registrar: trata-se de uma organização fundada por 4 amigos. Em seu livro “Quebrando o Código da Vinci”, o Dr. Darrell L. Bock, grande estudioso e pesquisador na área do Novo Testamento, no Seminário de Dallas,

USA, escreve que André Bonhomme, 1º presidente da referida organização, declarou, em 1996, que o Priorado de Sião não existe mais, e que nunca estiveram – ele e seus amigos- envolvidos em política. Era só um divertimento (pg 193 do livro citado, edição em portugûes, 2004, Novo Século Editora, ltda).

5. Quem foi realmente Maria Madalena? No Novo Testamento temos várias afirmações sobre essa , mulher: A) foi liberta de possessão demoníaca (Lc 8.1-3);  B) estava presente á crucificação, junto com outras mulheres (Mt 27.55-56; Mc 15.40-41; Jô 19.25); C) foi testemunha do sepultamento do Senhor e, conforme o texto de João 20.11-18, teve um encontro pessoal e “particular” com Jesus. Ela o agarrou emocionada com aquela aparição. Jesus todavia, pediu que ela o largasse. Sem dúvida, foi uma reação de alegria e surpresa, tão devota a Jesus que ela era. Ver  qualquer conotação sexual nesse detalhe é ver longe demais na imaginação! Maria Madalena recebeu a incumbência de anunciar aos discípulos a ressurreição de Jesus e, por isso, tem sido chamada de “apóstolo”( com a idéia básica de alguém que é enviado, pois este é o significado da palavra na língua grega); aliás, o líder cristão (bispo) Hipólito, no 2º século, chama-na de “apóstolo dos apóstolos”, mas não  no sentido de um título oficial; porém, certamente com referência ao testemunho que ela e outras mulheres puderam dar acerca da ressurreição do Senhor. Sobre se Maria Madalena teria sido uma prostituta, basta dizer: nenhum texto do Novo Testamento afirma tal coisa; e somente a partir de um sermão do Papa Gregório, o Grande, no final do século VI, é que essa idéia começou a se espalhar. Na verdade, um resultado de confusão no uso dos textos de Lucas e João , capítulo 7 e 8, e capítulo 12, respectivamente. Sobre este assunto,  o Dr. Leon L. Morris, em seu comentário do Evangelho de Lucas, escreve : “A imaginação cristã tem feito muita especulação em torno de Maia Madalena, e normalmente a vê como uma mulher muito bela a quem Jesus salvou de uma vida imoral. Absolutamente nada há nas fontes para indicar tal coisa. Lucas diz que dela saíram sete demônios. Não há, porém, razão alguma para ligar os demônios com a conduta moral”.

  1. A questão do “Santo Graal”.  Trata-se de uma lenda, que recua até o século VI. A palavra graal- pelo francês – significa prato, e na lenda refere-se ao cálice no qual teria sido recolhido  o sangue de Cristo.

Segundo a mesma lenda, José de Arimatéia  recolheu o cálice e que mais tarde, foi levado pa a Inglaterra. Outras versões afirmam que o cálice da Última Ceia foi parar

Numa fortaleza nos Pirineus e ficou sob a guarda dos Cavaleiros Templários ( uma ordem monástica, na época das Cruzadas, século XII). No liceo O Código da Vinci, o graal é a própria Maria Madalena, símbolo do feminino.

Concluindo: portanto, vale repetir algumas verdades! Segundo o Novo Testamento, Jesus não era casado; foi reconhecido pelos apóstolos como possuidor de natureza divina; morreu e ressuscitou. Muito antes do Imperador Constantino, os Evangelhos ( Mateus, Marcos, Lucas e João) já estavam bem divulgados entre as Igrejas e eram considerados como escrituras “inspiradas”, dignos de pertencerem ao cânone do Novo Testamento. Outros escritos da mesma época, especialmente aqueles de origem “gnóstica”, proliferaram entre vários grupos também considerados cristãos; na verdade, eram desvios da “sã doutrina”ensinadas pelos verdadeiros cristãos dos primeiros três séculos da nossa era, conforme já referido acima. Sobre esses desvios, tanto o apóstolo Paulo quanto o apóstolo João fizeram advertências em suas cartas!

 



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